Como uma grande plataforma de e-commerce e marketplace japonesa chegou a falência?
Quando o Grupo Gencomm comprou em outubro de 2019 a operação da Rakuten no Brasil, a empresa já sabia que seria um desafio, o que não esperava é que terminaria em um completo fracasso e com um prejuízo acumulado de mais de R$ 40 milhões.
Como tudo isso aconteceu? Como estão os lojistas? E mais importante ainda: como evitar um colapso desse tamanho? Saiba tudo aqui.

O começo de um colapso financeiro
A Rakuten existe no Brasil desde 1995 e foi a primeira empresa a oferecer lojas virtuais por aqui, desde o início, a plataforma nunca teve lucro em território nacional, porém, se manteve. Em 2019, o Grupo Gencomm, mesmo sabendo de todas as dificuldades financeiras, resolveu se arriscar comprando a Rakuten, acreditando que a empresa poderia se recuperar e dar a volta por cima.
Infelizmente, não foi bem assim. Foram realizados muitos ajustes, com o objetivo de contornar as dívidas e obter sucesso, mas, as objeções financeiras se mostraram, mais uma vez, muito maiores do que se esperava.
Para começar, o maior cliente do grupo, uma loja virtual brasileira chamada Xiaomi Brz, que comercializava produtos da Xiaomi, não era um revendedor autorizado pela grande empresa chinesa, foi constatado que 60% das vendas desse e-commerce nunca chegavam a seus compradores, o grande problema aqui, é que apenas essa loja representava 50% da receita da plataforma de e-commerce. Por conta dessa loja não oficial da Xiaomi, a Cielo interrompeu as transações devido a falta de acordo sobre taxas, ou seja, agora a empresa não consegue processar transações e os lojistas estão com suas atividades interrompidas.
E não para por aí, a empresa também sofreu um corte bancário de R$ 65 milhões com o Banco Itaú que era o responsável pelo capital de giro da plataforma, “o banco passou a indicar que a continuidade da linha não estava garantida e a concessão de crédito sob as novas condições (novos sócios e novos administradores nas Recuperandas) deveria passar por um processo de avaliação e validação de inúmeros aspectos” e devido a isso, todos os ganhos do Grupo Gencomm, inclusive, os que seriam repassados aos lojistas, passaram a ir diretamente para o banco, como uma forma de amortizar o financiamento, até então não se sabe o futuro dessa linha de crédito.
Além disso tudo, também foi descoberto que vários produtos do grupo não haviam validação no mercado, algumas marcas da plataforma de e-commerce pagavam 1% do valor faturado, quando a média de mercado é de 2% a 3%, isso significa que as recuperandas ao invés de lucrar só tiveram prejuízo.
Pedido de recuperação judicial de todas as suas empresas
No dia 3 de fevereiro de 2020, o Grupo Gencomm entrou com um pedido de recuperação judicial de todas as suas empresas, o juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi deu 15 dias para a Gencomm informar o valor da causa.
Já se sabe que os prejuízos são milionários, os lojistas seguem sem um posicionamento de ambas empresas e com as vendas interrompidas, além de serem obrigados a cancelar todas as compras desde o dia 30 de janeiro.
Seria muito mais simples caso se tratasse apenas de uma migração de plataforma, mas, o buraco parece não ter fundo e os lojistas seguem no aguardo de um posicionamento.
O que podemos aprender com esse caso?
Primeiro que, a conta chega para todos, é inevitável. Muitas empresas seguem operando durante anos, na crença de que os concorrentes irão ficar para trás e que vão dominar o mercado. É importante analisar cuidadosamente, estudar o caso e entender quando compensa ou não se arriscar. A Rakuten teve 25 anos de prejuízo e as consequências não param de surgir.
Não tenha apenas um cliente para “sustentar” o negócio, como visto nesse caso, a Xiaomi Brz representava 50% da receita, principalmente quando a empresa não parece ser confiável, ao fazer isso, a Rakuten prejudicou não apenas a si mesma mas todos as outras marcas aliadas.
Não negocie sem ter alternativas! Veja bem, toda a dependência financeira de um fornecedor como a Cielo foi um risco fatal, a financeira colocou um preço 15% maior nas taxas e não perdeu tempo ao cortar o serviço após a Rakuten se recusar a fechar esse contrato. O faturamento perdido pela Cielo não é quase nada em comparação com a Rakuten.
Para finalizar, é importante lembrar de sempre conferir os dados da empresa com quem você vai fechar negócio, investigar o passado, analisar todas as possibilidades existentes, manter-se atento ao sistema antifraude, bem como os meios de pagamento e recebimento de loja online, para evitar cair nesse buraco sem fundo.
O que você achou de toda essa polêmica? Conte para a gente, vamos bater um papo sobre!
* Até a criação desta matéria não houveram alterações ou pronunciamento de nenhuma das empresas citadas.